quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Homens e Mulheres. Mitos e Verdades.



por Cláudia Piasecki

Homens são de Marte e mulheres são se Vênus.
Quem não teve a oportunidade de ler o livro, no mínimo já ouviu falar. O nome do livro dá claramente a idéia de que homens e mulheres são tão, tão diferentes que não é possível que sejam do mesmo planeta.
Na verdade percebo como um exagero e talvez até como um grande equívoco reforçarmos tanto as diferenças entre homens e mulheres.
É importante reconhecer tais diferenças, porém, reforçá-las acaba por criar um dilema ainda maior para o ser humano.
Com o passar do tempo crenças sobre o comportamento de homens e mulheres foi se cristalizando e criando muitos mitos que conhecemos hoje. E que reforçamos o tempo todo, principalmente quando nos envolvemos num relacionamento e vivenciamos situações de frustração. Então, aquele cara bacana, bonitão, charmoso e gentil, pode se tornar de uma hora para a outra o carinha galinha, machista, babaca, insensível, grosseiro. Basta ele não ligar no dia seguinte, ou não enviar uma mensagem para o celular daquela moça bonita, divertida e cativante que ele conheceu na noite anterior. Nesse momento o inferno se instala na vida da garota que mais uma vez se “deixou enganar” pelo desejo de conhecer finalmente seu príncipe encantado.
Bem, claro que as mulheres nesse momento podem estar concordando comigo (pensando que no final os homens não valem nada mesmo! Que são todos iguais.), mas creio que os homens nem tanto (os homens também tem um coração, e sofrem quando levam um fora).
Basicamente o que quero dizer é que, em se tratando de gente, seja do gênero masculino ou do gênero feminino, o sentimento é o mesmo! Quem já não sofreu por amor? Quem nunca levou um fora? Quem nunca ficou dias esperando uma ligação, uma mensagem, um sinal de fumaça que fosse? Quem nunca desejou ouvir uma declaração do ser amado? Quem nunca desejou ser amado?
Não acredito que a insegurança seja apenas feminina, não acredito que sofrer por alguém, ou por um relacionamento que não deu certo seja uma “dádiva” dada apenas as mulheres.
Penso que nos restam muitos resquícios filogenéticos que talvez expliquem algumas diferenças entre os gêneros. O processo evolutivo é extremamente lento. Embora o mundo moderno tenha passado por muitas transformações, gostemos ou não, os sentimentos humanos continuam pré-históricos. Historicamente vivemos cinco mil anos de um regime patriarcal, o que faz com que o homem se sinta muito mais livre, ou que lide melhor com a sua liberdade. A liberdade feminina é muito recente, a mulher sempre foi vista como propriedade do homem, quando não do pai, era do marido. Ou seja, é ainda muito familiar à mulher se sentir impelida a priorizar um relacionamento amoroso estável na sua vida, e creio que ainda vai levar muito tempo para essa “necessidade” se equalizar.
O homem por sua vez sempre se ocupou de outras demandas que não primordialmente o casamento e a família, a mulher sim, durante muito tempo. Vivemos muito recentemente a emancipação feminina. Percebo que por muitas vezes a mulher tem muito mais dificuldade em lidar com a sua emancipação do que o homem.
Bem, a grande verdade é que somos todos terráqueos, portanto sujeitos as mesmas mazelas. Todo o ser humano vive, sofre, se alegra, se frustra, se aborrece, espera, deseja, sonha, se decepciona, se engana, engana. Talvez o que diferencie realmente o comportamento de cada pessoa seja o nível de maturidade de cada um e o respeito que tem em relação a si mesmo e aos outros. Quando exercitamos a empatia conseguimos entender melhor o que se passa com os outros, e aí fica mais fácil conseguir perceber o por quê de muitas atitudes que nos irritam, ou que geram um mal estar no relacionamento amoroso, ou numa situação onde ainda não há compromisso. Cada pessoa tem um padrão de funcionamento, padrão esse que geralmente é extremamente diferente do nosso, por isso vivenciamos tantos conflitos relacionais.
A guerra dos sexos não nos leva a nada. Na verdade é um jogo, uma forma de culparmos alguém da dificuldade de lidar com as nossas próprias frustrações.
Na verdade na maioria das vezes agimos de acordo com os nossos interesses. Da mesma forma que uma mulher que está apaixonada e não é correspondida, e por esse motivo se sente ferida, ela mesmo pode estar ferindo alguém que sente paixão por ela, mas ela não corresponde a tal sentimento, da mesma maneira que acontece com os homens. Ou seja, não é correto afirmar que os homens sejam especialistas em não se envolverem num relacionamento sério. Seria muito mais fácil se a paixão ocorresse de maneira simultânea, mas nem sempre é assim.
Verdade seja dita, todos querem a mesma coisa, amor e amar.

“Uma flor não nos parece menos esplêndida se suas pétalas só estiverem viçosas durante uma noite.” __Sigmund Freud

“Não vemos as coisas como elas são, mas sim como as desejamos ou imaginamos.” __ Sigmund Freud

Cláudia Maria Piasecki
Psicóloga Clínica
3243-0156
9856-8944

Resiliência




Pessoas com características resilientes fazem com que a pressão trabalhe em seu favor. Elas conseguem essa façanha por disponibilizar todos os seus recursos e capacidades internas para fazer frente a todas as exigências e estímulos, enfrentado-os e gerenciando-os efetivamente.

Utiliza-se a resiliência para:

* Ser flexível perante a adversidade.
* Ter e sustentar excelente desempenho.
* Ser automaticamente otimista.
* Correr os riscos necessários.
* Progredir com as mudanças.
* Permanecer saudável, enérgico e cheio de vida.
* Assumir desafios difíceis e complexos.
* Perseverar.
* Inovar para descobrir soluções.
* Pensar e solucionar problemas rapidamente.
* Aprender, crescer e se aperfeiçoar.
* Realizar os mais nobres sonhos.

A palavra RESILIÊNCIA vem do latim resilio, que significa "voltar ao estado natural".

Resiliência significa a capacidade de um indivíduo manter uma conduta sã em ambientes insanos, ou seja, a capacidade do indivíduo sobrepor-se e construir-se positivamente diante das ADVERSIDADES.
Pessoas resilientes são aquelas que utilizam sua força, flexibilidade, inteligência e otimismo para enfrentar e superar circunstâncias desfavoráveis.
É importante observar que a resiliência não deve ser considerada um traço de personalidade nem uma capacidade fixa e invulnerável.
Da mesma forma que cada um de nós está competente (e não é competente) resiliência é uma capacidade que pode variar através do tempo e de acordo com o ambiente e a circunstância a que a pessoa se submete.
Estar resiliente em cada segundo da vida, portanto, é fazer o melhor uso possível de qualidades como flexibilidade, assertividade, otimismo, confiança, criatividade, intuição, foco, adaptabilidade e perseverança.
Essas qualidades o levarão a patamares mais altos de conhecimento e compreensão sobre quem é você e qual será a melhor forma de viver a vida e lidar com situações de pressão.
Talvez não seja sempre possível escolher os próprios desafios, e muitas vezes não gostamos das circunstâncias que a vida nos apresenta. Muitos não querem participar de uma GUERRA, perder o emprego, ser rejeitados pela pessoa amada. Mas cada um pode escolher como interpretar e como responder às circunstâncias indesejáveis da vida. Toda pessoa tem a possibilidade de se portar como protagonista e transformar a adversidade em um desafio que vale a pena ser encarado e num aprendizado que vale a pena ser EXPERIMENTADO.
Quando a fadiga e a tensão aumentam muitos ficam de mau humor, perdem o ânimo, o discernimento e a flexibilidade, vendo-se em situações em que:
O ATRASO de um minuto parece durar uma hora.
Um comentário descuidado FERE como repreensão.
Um SILÊNCIO é interpretado como indiferença.

"Não, o melhor é não falares,
não explicares coisa alguma.
Tudo agora está suspenso.
Nada agüenta mais nada.

E sabe Deus o que é que desencadeia as catástrofes,
o que é que derruba um castelo de cartas! Não se sabe...
Umas vezes passa uma avalanche e não morre uma mosca...
Outras vezes senta uma MOSCA e derruba uma CIDADE."
__Mário Quintana

Interpretando as adversidades como um desafio a superar, você sentirá vontade de avançar, de seguir em frente. Não mais alimentará pensamentos e sentimentos que fazem com que se desvie de seus objetivos.
LEMBRE-SE: a adversidade existe somente para isso: para que você aprenda e evolua.

"A adversidade desperta em nós capacidades que, em circunstâncias favoráveis teriam ficado adormecidas."
__Horácio

"Você não pode controlar o que irá sentir, quando irá sentir nem quanto isso será forte.
Mas você pode criar escolhas: como reagir quando se sentir assim."
__Daniel Goleman

As pessoas RESILIENTES:
Conseguem recuperar-se facilmente de um desapontamento ou uma frustração.
Conseguem relaxar e se orientar em momentos difíceis.
São pacientes e conseguem ver o lado cômico das situações.
Podem facilmente afastar distrações quando precisam se concentrar.
Conseguem identificar e administrar seus sentimentos e suas emoções em ambientes imprevisíveis ou emergenciais.
Pedem ajuda quando não são capazes de enfrentar algum problema sozinhas.
Estão em constante contato com seus sonhos e firmes em seus propósitos.

As pessoas não são perturbadas pela coisa em si, mas pela ideia que fazem delas.
"O pessimista queixa-se do vento, o otimista espera que ele mude e o realista ajusta as velas."

ESTEJA PRESENTE
Visualize o futuro, mas absorva e se concentre no presente, pois nele está a possibilidade de mudança.
Frequentemente nos distanciamos da hora em que mais precisaríamos estar presentes.
A presença é o ato mais curador que você tem.
É o que aumenta a eficiência, a consciência e o poder de resolução.

"Não se faz o que se quer, no entanto SE É responsável pelo que SE É: EIS O FATO."
__Jean-Paul Sartre

Esteja flexível e adaptado.
A qualquer momento a estrutura à qual você está acostumado pode ser substituída por outra, nova e diferente, que exigirá adaptação. Desvie-se das lanças da turbulência. Atue em várias áreas ao mesmo tempo.
Aprender a adaptar-se é encontrar novas trilhas e novas formas de atuar, mantendo o foco no propósito.
É perfeitamente possível ajustar suas estratégias e atitudes sem necessariamente perder seus valores.
Cultive a flexibilidade e a imaginação para fazer isso mesmo num momento de crise, mesmo que duvide de si próprio.
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Extraído do Livro: Supere! A arte de lidar com as adversidades.
de: Eduardo Carmello
www.entheusiasmos.com.br
eduardo@entheusiasmos.com.br

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Amores que se vão...



por Cláudia Piasecki

"...nada do que foi será, de novo do jeito que já foi um dia. Tudo passa, tudo sempre passará..."
Como uma onda.
Lulu Santos

Frustração, desânimo, impotência, tristeza, dor. Para quem já viveu uma história de amor, sabe que esses sentimentos se fazem presentes no momento em que um relacionamento acaba. Esses e muitos outros sentimentos claro, como raiva, indignação e uma enorme sensação de vazio.
Geralmente, quando um relacionamento é desfeito, ou chega ao fim não que dizer que o casal tomou a decisão de maneira ponderada e amadurecida, eu diria que essa situação é rara, via de regra uma das partes ainda está muito ligada, ou dependente do relacionamento. Por isso as pessoas acabam sofrendo tanto. Sofre quem não está mais apaixonado, ou não está mais satisfeito com aquela relação, e sofre muito mais quem ainda ama e de repente se vê "abandonado".
A sensação de abandono e vazio surge porque a relação amorosa nos traz a ideia de segurança, de afeto garantido, da presença do outro. Segundo o psiquiatra e psicanalista Flávio Gikovate, procuramos na relação amorosa o amor primordial, aquela sensação de amor incondicional que experimentamos quando nascemos, pois encontramos nos cuidados maternos tudo que precisamos, alimento, afeto, carinho, aconchego, segurança, a presença de um outro sempre pronto a atender todas as nossas necessidades.
Quando adultos procuramos no relacionamento amoroso essas sensações. Acreditamos que quando encontrarmos a pessoa certa vamos experimentar todo esse universo de sensações deliciosas, e a certeza que a presença do outro será algo divino, satisfatório, digamos, um felizes para sempre, como num conto infantil.
Renunciar a um grande amor, ou a uma paixão que está iniciando é bastante difícil. Aliás, de acordo com Dr. Eduardo Ferreira-Santos, psiquiatra, existem duas coisas que são dificílimas para o ser humano, o perdão e a renúncia. E das duas, pondera ele, renunciar é muito mais difícil do que perdoar. Quando eu perdoo alguém, eu considero alguma atitude que o outro cometeu que me machucou, magoou, aí eu posso imputar no outro toda a culpa pelo ato cometido, e demonstro toda a generosidade possível para no final conceder o perdão. Para renunciar algo ou a companhia de alguém que me é muito caro, é um movimento vivido de uma maneira totalmente individual, nessa situação tenho que encontrar força interior, subsídios próprios para poder superar tamanha dor, ao renunciar uma história de amor é vivido um período de luto, pois a perda é imensa. E esse sentimento é potencializado porque mais uma vez vivemos a frustração e a certeza de que não encontraremos mais aquele amor primordial.
Por isso é importantíssimo investirmos não só nos relacionamentos, mas também em vários outros interesses pessoais que nos tragam satisfação, que não dependam exclusivamente de uma outra pessoa para a sua realização.
Na vida experimentamos todos os tipos de frustração e por vezes um sentimento de que nada vai dar certo, mas é preciso sempre seguir em frente, tentar descobrir coisas novas, conhecer pessoas novas, aumentar a rede de relacionamentos de amizade, e valorizar as já existentes. Compartilhar interesses semelhantes com pessoas semelhantes. Certamente quando focamos nossos interesses em uma pessoa, e ela passa a ser a nossa única referência afetiva, estamos sendo extremamente egoístas e presunçosos. E podemos desta forma estarmos destruindo uma relação que poderia ser forte, saudável e durável, mas que não perdura por causa de nossa ansiedade em manter a presença daquela pessoa a qualquer preço (como se fosse nossa posse) numa atitude imatura e fantasiosa de que realmente temos esse poder. E por outro lado, se a relação não termina, está fadada de qualquer maneira a ser um peso carregado pela pessoa que é tratada como um objeto, ou como sendo a razão do viver do outro. Situação bastante delicada, pois não podemos e não devemos (pois não temos esse direito) tornar uma outra pessoa, a depositária das nossa frustrações e dificuldades emocionais.
As pessoas devem ser livres para fazer suas escolhas.
E parafraseando a música da cantora Maísa: "...se meu mundo caiu, eu que aprenda a levantar."
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Cláudia Maria Piasecki
Psicóloga Clínica
CRP 08/10847
9856-8944
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3243-0156 Consultório

Considerações sobre novos desejos



por Contardo Calligaris

Um jovem não sabe o que ele está a fim de fazer da vida, e os pais pedem que eu descubra qual é o desejo do filho, de modo que ele possa escolher o vestibular e a profissão que ele "realmente" gostaria.
Na mesma semana, encontro um adulto que acha que, de fato, nunca fez nada por desejo. Embora bem-sucedido, queixa-se de que suas escolhas (profissionais e amorosas) sempre teriam sido circunstanciais, efeitos de oportunidades encontradas ao longo do caminho. Ele pede, antes que seja tarde, que eu o ajude a descobrir qual é "realmente" o seu desejo.
Nos dois casos, o pressuposto é o mesmo: quem viver segundo seu desejo será, no mínimo, mais alegre. Esta é mesmo uma boa definição da alegria: a sensação de que nosso desejo está engajado no que estamos fazendo, ou seja, de que nossa vida não acontece por inércia e obrigação. Inversa e logicamente, muitos estimam dever sua (grande ou pequena) infelicidade ao fato de terem dirigido a vida por caminhos que eles declaram não eram exatamente os que eles queriam.
Pois bem, esse pressuposto e os pedidos que recebi se chocam com esta constatação: o "nosso desejo" nunca é UM desejo definido por UM objeto ou por UM projeto. Não existe, nem escrito lá no fundo escondido de nossa mente, UM querer definido, que poderíamos descobrir e, logo, praticar com afinco e satisfação porque estaríamos fazendo aquela coisa ou caçando aquele objeto aos quais éramos, por assim dizer, destinados. Nada disso: de uma certa forma, todos os objetos e os projetos se valem, e nenhum é "nosso" objeto ou projeto específico. Ou seja, nós desejamos sempre segundo as circunstâncias, os encontros, as oportunidades--segundo as tentações, se você preferir.
Somos volúveis? Nem tanto, pois cada objeto e projeto não substitui necessariamente o anterior. O que acontece é que desejar é uma atividade inventiva a jato contínuo.
Por consequência, mesmo quando estamos alegremente convencidos de estar fazendo o que queremos com nossa vida, nunca estamos ao abrigo do surgimento de novos desejos.
Claro, podemos aceitar esses desejos novos. Por exemplo, em "As confissões de Schmidt" (que não é um grande filme), de A. Payne, com Jack Nicholson, o protagonista acorda de noite, olha para sua mulher de sei lá quantos anos e se pergunta estupefato: "Quem é esta mulher que dorme na minha cama?". Logo, ele dá um rumo novo à sua vida, colocando o pé na estrada. Mas a expressão de seus novos desejos é fortemente facilitada por duas circunstâncias: providencialmente, o protagonista se aposenta e fica viúvo. Nessas condições, escutar novos desejos fica fácil, não é?
Agora, imaginemos alguém que esteja no meio de sua vida profissional e num bom momento de sua vida amorosa. Nesse caso, provavelmente, o novo desejo será silenciado, reprimido, menosprezado ("deixe para lá, é besteira'). Resultado: o indivíduo continuará declarando que está vivendo a vida que ele queria (e, em parte, será verdade); só que, de repente, sem entender por quê, ele perderá sua alegria.
Por que razão nosso indivíduo negligenciaria seus novos desejos?
Simples: por serem novos, eles acarretam a ameaça de uma ruptura no presente: afetos e laços que poderiam ser perdidos, medo da solidão e preguiça dos esforços necessários para reinventar a vida.
Infelizmente, essa negligência tem um custo alto. Sempre entendi assim a "Metamorfose", de Kafka: alguém acorda, e o que até então era uma vida normal e legal, de repente, aos seus olhos, é uma vida de barata.
Nota útil para a clínica da depressão; será que houve lutos ou perdas? Nada disso; está tudo bem, trabalho, família, filhos e tal, mas o indivíduo entristece, volta a fumar e a beber como se quisesse encurtar a vida, engorda como se estivesse num mar de frustração e precisasse de gratificações alternativas.
Em muitas dessas vezes, a origem da depressão não é uma perda, nem propriamente uma frustração, mas a aparição de um desejo novo que não foi reconhecido. E os novos desejos, sobretudo quando são silenciados, desvalorizam a vida que estamos vivendo.
Moral da fábula: 1- Não existem vidas definitivamente resolvidas, pois novos desejos surgem sempre; 2- É bom reconhecer os novos desejos, mesmo que deixemos de realizá-los.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

AMOR REAL X AMOR VIRTUAL



por Cláudia Piasecki

"Quero um amor maior, amor maior que eu..."
J. Quest


O tempo passa, mudanças imensas se dão na cultura, no comportamento humano, mas tem algo que não passa e que nunca cai em desuso (espero que nunca caia...) , o amor.
Claro, que a maneira como as pessoas amam e como elas buscam o amor mudou.
As redes sociais são hoje grandes aliadas na conquista de relacionamentos, seja na busca de amizades ou de um possível namoro.
A internet é uma grande ferramenta de comunicação para nós, seres pós-modernos.
Lembro da época que a única maneira de comunicação, fora a velha conhecida cara-a-cara, era o telefone. Ficávamos horas ao telefone com os amigos, em conversas intermináveis. E o namoro pelo telefone então? Durava horas e horas...a conta no final do mês era do tamanho do amor e da eloquência do casal...
Bem, hoje tudo isso mudou, sim usamos muito o telefone ainda, certamente muito mais o celular do que o nosso velho amigo telefone fixo.
Mas o que realmente mudou nas relações humanas com o advento das redes sociais, MSN, Skype?
A grande mudança é que podemos nos comunicar com pessoas do mundo inteiro à distância, podemos ver imagens em tempo real pela webcam. As redes socias possibilitam a manutenção de amizades que já existiam no âmbito social real, e nos dão a chance de conhecermos inúmeras pessoas, amigos de amigos, que vamos adicionando. A grande questão é que na verdade não conhecemos pessoalmente a grande maioria das pessoas que são nossos amigos nas redes sociais, segundo Martha Gabriel, consultora de mídias socias, atualmente é possível que nos relacionemos com 150 pessoas. Podemos ter mais de mil amigos virtuais, mas pessoas que realmente conhecemos e com quem temos frequentes trocas virtuais são apenas 150 (em média).
E as relações amorosas. O que mudou?
Muitos relacionamentos amorosos tiveram início através das redes sociais, muitos casamentos aconteceram graças a tecnologia. Muitas pessoas, que são muito tímidas na vida real, se deram bem no contato virtual. São novos tempos...e com certeza a tecnologia entrou com tudo em nossas vidas, causando grande transformação.
Penso que o ser humano está num período de grande desenvolvimento. O contato via internet, redes sociais é irreversível.
Outra novidade no campo relacional, são os sites de namoro. As pessoas se inscrevem nesses sites, e sonham com a possibilidade de conhecer alguém legal, compatível com o seu desejo, alguém para amar.
Mas não se enganem...as pessoas não são melhores nem piores por estarem "protegidas" pela magia da comunicação virtual. Muitas vezes a porção ingênua e sonhadora das pessoas se exacerba na comunicação virtual, tem-se a impressão que todas as pessoas são boas, legais, lindas, de ótimo caráter, felizes, bem sucedidas, fiéis, etc.
Existem casos onde as pessoas estão deixando de investir em relações reais para se dedicar às relações virtuais. Homens e mulheres vivendo uma ilusão, um sonho. Claro que a realidade muitas vezes traz frustrações, sofrimento, temos receio de não sermos aceitos; aí vem a falsa impressão que no contexto virtual isso não acontece. Mas quando chega a hora de conhecer pessoalmente aquela garota, ou aquele rapaz com quem você está se comunicando a um bom tempo virtualmente? Será que ele (a) é tudo aquilo que você imaginou? Então, bate a dúvida: será que eu devo mesmo conhecer esta pessoa? A probabilidade de se decepcionar é bastante grande, pois certamente projetamos qualidades, que talvez essa pessoa não possua. Totalmente diferente do contato real. Você poder olhar nos olhos da pessoa, sentir seu cheiro, o toque, a voz, enfim. Não existe comparação. Podemos usar e abusar da comunicação virtual como forma de comunicação complementar, mas a relação real, com pessoas reais é muito mais gratificante, verdadeira e satisfatória.
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Cláudia Maria Piasecki
Psicóloga Clínica
CRP 08/10847
9856-8944
3243-0156 consultório

Para durar, o amor deve ser um constante exercício de conquista



por Alberto Lima
psicoterapeuta junguiano



Enganam-se as pessoas que pensam que o casamento é hora de sossegar, que a sedimentação da relação garante, por si só, a sua sobrevivência. Se não for cultivado diariamente, com pequenos e também grandes gestos de atenção, o relacionamento se acomoda, o sexo esfria, o entusiasmo vai embora. A disposição para o cuidado com o outro é que mantém a chama acesa.



Tudo começa movido pelo elemento fogo: é paixão! Arrebatadora! Corações em brasa, corpos ardentes, disponibilidade total, olhares enamorados, admiração mútua...
Uma beleza! Ele e ela foram bem-sucedidos na conquista e entendem que o amor se instalou inexoravelmente. Casam-se, então, e, no momento em que firmam esse compromisso, tornam-se irremediavelmente "felizes para sempre"!
Com o passar do tempo, o fogo abranda e o gráfico da paixão ameaça raspar na base do papel. O entusiasmo arrefece, o envolvimento se afrouxa, o olhar já não pousa sobre os olhos do outro. Os beijos já não são ardentes e dão lugar a protocolares bicotas. O sexo deixa de ser tão frequente, parece não suscitar o mesmo élan.
E a motivação para os programas a dois diminui.
A vida é assim, certo?
Errado. E o erro está em acreditar que a manutenção de um casamento__e do fogo, claro__seja algo automático, que deveria decorrer naturalmente do simples fato de a relação ter-se sedimentado.
Uma relação amorosa é um grande desafio. O jogo começa quando se pensa que terminou (com a efetivação da união).
Não se sustentará, a menos que seja vivido como um constante exercício de conquista.
Amor é labor. E há de ser assim, ou perecerá.
Nada na vida funciona bem, a menos que se renove. O banho precisa ser tomado com cuidado todos os dias. O alimento precisa ser preparado novamente, com o mesmo capricho. O filho precisa ser levado a dormir e deverá ouvir um conto de fadas, de novo e de novo, todos os dias, ou não se estruturará como sujeito íntegro, com fé na vida e capaz de, a exemplo dos pais, saber renová-la a cada dia, em todos os instantes de seu futuro.
A renovação da conquista é tão importante quanto reafirmar a escolha amorosa.
Nenhuma dessas duas coisas se pode pressupor como automaticamente presente, ou natural em uma relação. Para que uma casa fique firme, é preciso construir as paredes, tijolo por tijolo, instalar o telhado, telha por telha, cuidar do acabamento e, finalmente, não deixar de lado a manutenção. Se a casa da união não recebe a energia cuidadosa de quem a botou no mundo, tende a "adoecer" e pode ruir.
Para conquistar o parceiro, a parceira, tudo de que se necessita é disposição pessoal para o cuidado. Regar a planta, remover as ervas daninhas, nutrir. A saladinha de alface com tomate de todos os dias pode ser enfeitada com estrelas de carambola, ou com iscas de pêssego. Pode ser servida em travessas diferentes, com alguma arte. Ele__ou ela__perceberá o cuidado, experimentará gratidão e verá renovar-se no peito o bem querer.
Quando chegar em casa à noite e for tomar o seu banho, ele pode fazer a barba uma vez mais; ela apreciará o gesto.
Ela pode escolher a roupa que vai vestir, em lugar de aproveitar aquela camisetinha básica "que nem estava cheirando a usada"; ele saberá.
Quando um percebe que foi considerado pelo outro__e geralmente o significado disso está em que um cuidado foi tomado e um tempo de dedicação foi empregado__, isso é o que basta para que se renove o sentimento de bom gosto na escolha de parceria! "Ah, como é bom meu amor importar-se comigo e tratar bem de mim". A chama amorosa se renova e dá sustentação à continuidade e ao crescimento do vínculo e do prazer de vivê-lo.

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quinta-feira, 2 de junho de 2011

Pessoas






Você é uma "Razão", uma "Estação", ou, uma "Vida Inteira?"



Pessoas entram na sua vida por uma "Razão", uma "Estação", ou, uma "Vida Inteira?"

Quando você percebe qual deles é, você vai saber o que fazer por cada pessoa.



Quando alguém está em sua vida por uma "Razão"...

É geralmente para suprir uma necessidade que você demonstrou.

A pessoa surge para auxiliá-lo numa dificuldade, fornecer orientação e apoio, ajudá-lo física, emocional ou espiritualmente.

Poderá parecer como uma dádiva de Deus, e ela é!

Está lá pela razão que você precisa que ela esteja lá.

Então, sem nenhuma atitude errada de sua parte, ou em uma hora inconveniente, esta pessoa vai dizer ou fazer alguma coisa para levar essa relação a um fim.

Pode acontecer dessa pessoa morrer, ou, ela simplesmente se vai, ou, ela age e te força a tomar uma posição.

O que devemos entender é que nossas necessidades foram atendidas, nossos desejos preenchidos e o trabalho dela, feito.



Quando pessoas entram em nossas vidas por uma "Estação", é porque chegou a sua vez de dividir, crescer e aprender.

Elas trazem para você a experiência da paz, ou fazem você rir. Elas poderão ensiná-lo algo que você que você nunca fez.

Elas geralmente te dão uma quantidade enorme de prazer. Acredite! É real!

Mas somente por uma "Estação".



Relacionamentos de uma "Vida Inteira" te ensinam lições para a vida inteira: coisas que você deve construir para ter uma formação emocional sólida.

Sua tarefa é aceitar a lição, amar a pessoa, e colocar o que você aprendeu em uso em todos os outros relacionamentos e áreas de sua vida.

É dito que o amor é cego, mas a amizade é clarividente.



"Trabalhe como se você não precisasse do dinheiro, ame como se você nunca tivesse sido magoado, e dance como se ninguém estivesse te observando".



"O maior risco da vida é não fazer NADA."



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Cláudia Maria Piasecki
Psicóloga Clínica
CRP 08/10847