quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Tomar Decisões Cansa Demais



Vanessa Prateano

Estudo mostra que capacidade de fazer escolhas diminui ao longo do dia e pode causar o que os médicos chamam de "o cansaço de decidir"

Vai tomar uma decisão importante? Não deixe para depois, se esse "depois" significar "após muitas outras decisões menos importantes". Um estudo feito por uma universidade israelense demonstrou o que muita gente já notou na prática: quanto mais decisões tomamos ao longo do dia, mais cansados ficamos, e maiores são as chances de não tomarmos decisão alguma ou então nos arrependermos pela escolha errada.
O fenômeno, chamado de desision fatigue, em inglês, ou "o cansaço da decisão", foi descrito após o estudo, realizado pela Ben Gurion University em parceria com a Universidade de Stanford (EUA), notar que juízes israelenses que participaram da pesquisa tinham mais chances de negar o pedido de liberdade aos presos quanto mais tarde fosse realizada a audiência de análise do pedido, chamada de parole board.
Em um episódio, um juiz deu parecer diferente a dois casos iguais (mesmo crime e mesma pena). Um, analisado às 8h50, foi deferido, ao passo em que outro, analisado às 16h25, após vários outros, foi negado. Os pesquisadores analisaram 1,1 mil decisões e observaram que 70% dos pedidos analisados no começo da manhã foram deferidos; no fim da tarde, o índice de pedidos concedidos caiu para 10%.
Estoque limitado
A ideia de que quanto mais decisões tomamos, num curto espaço de tempo, mais preparados ficamos para tomar as próximas, não se confirmou. De acordo com os pesquisadores, isso acontece porque nossa capacidade de tomar decisões é limitada, e o "estoque" de autocontrole necessário para tanto diminui conforme é usado.
As consequências seriam duas: a de agir impulsivamente, para acabar logo com o "tormento", ou não fazer coisa alguma, adiando a decisão. No caso dos juízes, o pedido muitas vezes era negado para que o magistrado tivesse a chance de analisá-lo com mais calma num outro momento. em outros casos, porém, esse tempo não é possível.
"A atividade mental cansa tanto quanto a atividade física e isso pode ser facilmente notado no final de um dia de trabalho. Isso explica porque grande parte dos acidentes ocorre no final da tarde, assim como os erros médicos, que geralmente ocorrem no fim de um plantão longo", observa o neurologista e professor de Medicina da Universidade Estadual paulista (Unesp) Fernando Coronetti. "Em qualquer atividade continuada, como tomar decisões a toda hora, o rendimento cai e se instaura essa fadiga."
E por que isso acontece? De acordo com o neurologista e membro da Academia Brasileira de Neurologia, Luiz Carlos Benthien, como um carro, o cérebro precisa de combustível para funcionar. A gasolina ou álcool, neste caso, é a energia produzida pela quebra da glicose, que libera oxigênio no interior das células e permite a atividade cerebral. Como qualquer motorista sabe, o combustível não é infinito; o mesmo acontece com a energia da mente.
"Ao longo do dia, a tua reserva de neurotransmissores não trabalha com a mesma capacidade daquela com a qual você iniciou o dia. Ela se esgota com o processo de tomada de decisões, que quanto mais complexo, mais energia e capacidade de autocrítica vai exigir", explica o médico.
Justiça
A responsabilidade de mudar vidas
O exemplo dos juízes não foi tomado por acaso pelo estudo. A carga de responsabilidade que envolve as decisões de um magistrado é considerável-declarar alguém inocente ou culpado, decidir entre uma multa ou a prisão, dar a guarda de uma criança ao pai ou à mãe são algumas delas. E a existência de leis, que orientam tais decisões, não é o suficiente para impedir a manifestação da angústia e da insegurança.
Com 22 anos de profissão, o desembargador Gil Fernandes Guerra, que hoje preside a Associação dos Magistrados do Paraná (Amapar), conta que ainda sente o peso da responsabilidade sobre os ombros na hora de julgar os processos. "Não basta decidir, é preciso ser justo. Não é uma decisão qualquer e, dependendo do caso, se a pessoa está presa, por exemplo, é preciso ter pressa. E na nossa profissão é quase impossível deixar para depois."
Para ele, a rotina extenuante pode influenciar no julgamento e é preciso criar hábitos que evitem a tomada de decisões em momentos críticos. Ele opta, por exemplo, por levar trabalho para casa. "Gosto de trabalhar de madrugada, e costumo analisar só um tipo de processo de cada vez. No gabinete, prefiro momentos mais silenciosos, geralmente pela manhã."


"Tão bom viver dia a dia. A vida assim jamais cansa. E só ganhar, toda a vida, inexperiência, esperança. Nada jamais continua, tudo vai recomeçar!" __Mário Quintana

A ENGENHARIA DO AUTISMO




Marcela Buscato

Revista Época







Quem é o psicólogo britânico que decidiu procurar entre profissionais da área de exatas as origens do transtorno que afeta a habilidade de se comunicar







Eindhoven é o principal polo de tecnologia da Holanda. A cidade de 270 mil habitantes concentra duas importantes universidades tecnológicas e dezenas de indústrias de olho nos cérebros privilegiados formados lá. Nos últimos anos, as autoridades de saúde da cidade começaram a se dar conta de uma mudança.

Não havia nenhum levantamento oficial, mas os especialistas tinham a sensação de atender mais crianças com autismo, um transtorno de desenvolvimento que atinge principalmente meninos e afeta a habilidade de relacionamento e comunicação.

Os boatos despertaram a atenção do psicólogo britânico Simon Baron-Cohen, de 53 anos, diretor do Centro de Pesquisa em Autismo da Universidade de Cambridge.

Baron-Cohen está longe de ser um oportunista. É sempre cauteloso ao explicar a dimensão de suas descobertas. Mas tampouco foge de controvérsias.

Para Baron-Cohen, o aumento de crianças com autismo, possivelmente o caso de Eindhoven, deve-se ao casamento entre pessoas com tendências autistas. Todo mundo conhece alguém assim: é o amigo da faculdade ou do trabalho com interesses muito específicos (pode ser organizar sua coleção de livros sobre trens ou colecionar espécies de um gênero de orquídea). Ele percebe facilmente padrões dispersos pelo cotidiano, como a sequência de funcionamento de semáforos de uma avenida, e não tem muitos amigos. Segundo Baron-Cohen, pessoas com esse perfil escolhem profissões que aproveitem essa facilidade para captar padrões. Tornam-se engenheiros, matemáticos, físicos, cientistas da computação. "Não estou dizendo que todos os engenheiros e matemáticos são autistas", afirmou a ÉPOCA Baron-Cohen. "Mas é comum que, entre esses profissionais, existam mais pessoas com características compatíveis com autismo."

Esse tipo de habilidade está presente em todos nós, em maior ou menor grau. Entre os autistas, estaria absolutamente fora do normal. Alguns são capazes de criar fórmulas matemáticas para calcular em que dia da semana caiu uma data passada e quando cairá no futuro. Nos profissionais das ciências exatas, "grandes sistematizadores", segundo Baron-Cohen, essa capacidade estaria na fronteira entre o normal e o fora do comum. "Talvez, eles tenham apenas alguns dos genes do autismo e manifestam só algumas características", diz. Como são atraídos por um tipo específico de profissão, se concentrariam em polos tecnológicos, onde conheceriam mulheres com interesses semelhantes e, provavelmente, também com alguns dos genes do autismo. Ao se casarem, teriam filhos autistas ao unir suas cargas genéticas.

O caso de Eindhoven parecia a oportunidade perfeita para Baron-Cohen reunir evidências em favor de sua tese. Ele pediu que as escolas da cidade informassem o número de crianças autistas matriculadas. Fez o mesmo com escolas de outras duas cidades holandesas de tamanho semelhante-Haarlem e Utrecht-, mas cujas economias não são baseadas no setor tecnológico. A conclusão do estudo, divulgado há pouco mais de dois meses em uma importante publicação sobre autismo, parece confirmar as suspeitas de Baron-Cohen. Em Eindhoven, há entre duas e quatro vezes mais casos do que em Haarlem e Utrecht. A pesquisa foi a primeira a comparar a prevalência de autismo em um polo tecnológico com cidades de perfil econômico diferente. E, portanto, a provar cientificamente a relação. Mas a suspeita não é nova.

O primeiro caso a chamar a atenção foi o da Califórnia, Estados Unidos. O Estado engloba o Vale do Silício, região que concentra algumas das principais empresas de tecnologia do mundo, como o Facebook, o Google e a Apple. Entre 1987 e 2007, segundo estatísticas do governo americano, o número de diagnósticos de autismo aumentou 1.148%. A população cresceu só 27%. A ideia de que os pais de crianças com autismo tenham formas atenuadas da condição paira sobre o campo da psiquiatria desde o final da década de 1980.

Mas foi Baron-Cohen que tomou para si a tarefa de provar ou refutar a teoria. Em sua busca pelas origens do autismo, já analisou milhares de familiares de matemáticos e engenheiros. As conclusões reforçam sua tese. Entre 1.405 parentes de estudantes de matemática, ele encontrou sete casos de transtornos semelhantes ao autismo. Nas famílias de universitários de outras áreas, achou apenas dois. Em um estudo com crianças autistas, a probabilidade de que o pai da criança ou um dos avôs fosse engenheiro era duas vezes maior.

A teoria, claro, é polêmica. "Esses achados precisam ser reproduzidos por outros estudos para que sejam considerados', diz a psiquiatria Letícia Amorim, da Associação de Amigos do Autista. Os cientistas não tem certeza nem das origens genéticas do autismo. Não sabem se o transtorno é causado por dois ou 200 genes. Logo, é difícil procurar por eles entre matemáticos e engenheiros. Além disso, existe a dificuldade de fazer o diagnóstico.

Há um espectro de condições relacionadas ao autismo, algo parecido com uma escala. Pessoas com as formas mais graves têm quociente menor de inteligência, não desenvolvem a linguagem e não conseguem se relacionar. Na outra ponta da escala, os pacientes podem ter o quociente de inteligência acima da média da população e menos dificuldade para interagir socialmente. Baron-Cohen acredita que os físicos Albert Einstein e Isaac Newton, criadores das teorias que explicam o Universo, estavam nesse extremo do espectro, uma síndrome conhecida como Asperger. Em alguns casos, a fronteira entre a síndrome e o considerado "normal" é tão tênue que é difícil saber se pais de crianças autistas, possivelmente os matemáticos e engenheiros da teoria de Baron-Cohen, também não são eles mesmos Aspergers. Isso torna ainda mais complicado provar a teoria das tendências autistas.

Baron-Cohen diz que toda essa polêmica é por bons motivos. Porque ajuda os especialistas a entender como os autistas pensam e a refinar estratégias de aprendizagem destinadas a crianças com o transtorno. Além disso, serviria para mudar o olhar da sociedade. "Ao mostrar que esses traços podem estar presentes em profissionais, percebemos que o autismo engloba habilidades e até talentos", diz.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

A ação vence o medo.



por Cláudia Piasecki

Nós os humanos vivemos sempre rodeados, por vezes, assombrados pelas dúvidas do cotidiano, pelas escolhas que devemos fazer, decisões importantes que vão ser cruciais para o nosso futuro, outras decisões nem tão importantes assim, mas que nos deixam ansiosos e preocupados da mesma forma.
Cada fase do ciclo vital exige mais e mais responsabilidades, atitudes assertivas, amadurecimento, discernimento, ação.
Vivemos numa sociedade que nos exige escolhas o tempo todo, mas nem sempre estamos bem preparados para fazê-las. E inevitavelmente somos tomados pelo medo e insegurança.
Com muita frequência surgem questões como: "Será que estou indo pelo caminho correto?". "Será que isso vai dar certo?". "Será que tenho capacidade para tanto?". "Será que vou dar conta?". "Até quando isso vai durar?”. Será que preciso mesmo aguentar?". "O que será que vão pensar de mim?".
Na verdade são questões que fazem parte do imaginário de qualquer pessoa. O medo é um sentimento que nos acompanha sempre, e é positivo, pois nos faz pensar e criar estratégias de proteção e de aperfeiçoamento. O medo deixa de ser positivo no momento em que permitimos que ele nos paralise a ponto de abandonarmos nossos sonhos, ideais e desejos.
Na verdade, renunciar a um desejo antes mesmo de fazer uma pequena tentativa, é abrir mão de uma possibilidade, por mais remota que nos pareça a realização. Se renuncio, abro mão. Se tento, posso estar abrindo um leque de possibilidades, ou no mínimo evito criar uma fantasia em relação ao que poderia ter sido. A ação vai fazer toda a diferença. Se ficarmos com medo de eventual frustração que possa ser gerada por tal ação que pode não dar certo, ou de estarmos nos expondo de alguma maneira e parecermos ridículos aos olhos dos outros, certamente estaremos assim matando em nós a chama que nos mantém vivos, a esperança.
Percebo que muitas pessoas vivem uma vida de simulação, sem autenticidade, eu diria, quase artificial, pois se dedicam a coisas ou atividades mecânicas que geralmente são geradas por uma necessidade que vem do outro e não de si mesmo. Claro que temos nosso papel social que é muito importante, mas é necessário que nos questionemos sempre se estamos satisfeitos com o caminho que estamos percorrendo. Se criássemos um espaço maior para a reflexão e não apenas vivêssemos voltados para essa "coisificação social" de que tenho que ser igual a todo mundo, tenho que possuir coisas para me tornar alguém, que para eu me sentir aceito preciso fazer exatamente o que os outros fazem, ou me comportar dessa, ou daquela maneira que sabe-se lá quem estabeleceu. Como construir uma identidade dentro de um sistema tão massacrantre? E quando se consegue viver uma vida mais autêntica e saudável, percebemos que estamos envelhecendo...
Talvez seja importante refletirmos sobre a finitude. A realidade é cruel. Todos vamos morrer um dia. Não sabemos quando, mas essa é a nossa maior certeza. Não podemos escolher quanto tempo vamos viver, mas podemos escolher como viver.
Semana passada o mundo ficou um pouco mais triste com a perda de Steve Jobs, diretor da empresa Apple. Steve Jobs sabia que estava com câncer e que não viveria por muito mais tempo. Interessante como ele soube usar a seu favor essa realidade (dura realidade), não se deixou abater e continuou criando, trabalhando, vivendo. Certamente um grande exemplo, que merece admiração.
Nenhum problema ou sofrimento é pequeno. Sempre que estamos passando por uma situação difícil, ou de escolha, nos sentimos pressionados, ansiosos, inseguros, com muito medo. Mas se não partirmos para a ação ou no mínimo tentarmos enfrentar a adversidade ou quem sabe fazer uma escolha, nossa vida certamente será muito menos excitante, interessante e criativa, ou alegre. O que faz a vida valer a pena para você, caro leitor?

"Lembrar que eu estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que eu encontrei para me ajudar a fazer grandes escolhas na vida. Porque quase tudo- todas as expectativas externas, todo o medo de se envergonhar ou de errar- isto cai diante da face da morte, restando apenas o que realmente é importante. Lembrar que vou morrer é a melhor maneira para eu saber evitar em pensar que tenho algo a perder. Você já está nu. Não há razão para não seguir o seu coração."__Steve Jobs, em discurso durante formatura em Stanford, 2005.

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Cláudia Piasecki
Psicóloga Clínica
3243-0156
9856-8944

Homens e Mulheres. Mitos e Verdades.



por Cláudia Piasecki

Homens são de Marte e mulheres são se Vênus.
Quem não teve a oportunidade de ler o livro, no mínimo já ouviu falar. O nome do livro dá claramente a idéia de que homens e mulheres são tão, tão diferentes que não é possível que sejam do mesmo planeta.
Na verdade percebo como um exagero e talvez até como um grande equívoco reforçarmos tanto as diferenças entre homens e mulheres.
É importante reconhecer tais diferenças, porém, reforçá-las acaba por criar um dilema ainda maior para o ser humano.
Com o passar do tempo crenças sobre o comportamento de homens e mulheres foi se cristalizando e criando muitos mitos que conhecemos hoje. E que reforçamos o tempo todo, principalmente quando nos envolvemos num relacionamento e vivenciamos situações de frustração. Então, aquele cara bacana, bonitão, charmoso e gentil, pode se tornar de uma hora para a outra o carinha galinha, machista, babaca, insensível, grosseiro. Basta ele não ligar no dia seguinte, ou não enviar uma mensagem para o celular daquela moça bonita, divertida e cativante que ele conheceu na noite anterior. Nesse momento o inferno se instala na vida da garota que mais uma vez se “deixou enganar” pelo desejo de conhecer finalmente seu príncipe encantado.
Bem, claro que as mulheres nesse momento podem estar concordando comigo (pensando que no final os homens não valem nada mesmo! Que são todos iguais.), mas creio que os homens nem tanto (os homens também tem um coração, e sofrem quando levam um fora).
Basicamente o que quero dizer é que, em se tratando de gente, seja do gênero masculino ou do gênero feminino, o sentimento é o mesmo! Quem já não sofreu por amor? Quem nunca levou um fora? Quem nunca ficou dias esperando uma ligação, uma mensagem, um sinal de fumaça que fosse? Quem nunca desejou ouvir uma declaração do ser amado? Quem nunca desejou ser amado?
Não acredito que a insegurança seja apenas feminina, não acredito que sofrer por alguém, ou por um relacionamento que não deu certo seja uma “dádiva” dada apenas as mulheres.
Penso que nos restam muitos resquícios filogenéticos que talvez expliquem algumas diferenças entre os gêneros. O processo evolutivo é extremamente lento. Embora o mundo moderno tenha passado por muitas transformações, gostemos ou não, os sentimentos humanos continuam pré-históricos. Historicamente vivemos cinco mil anos de um regime patriarcal, o que faz com que o homem se sinta muito mais livre, ou que lide melhor com a sua liberdade. A liberdade feminina é muito recente, a mulher sempre foi vista como propriedade do homem, quando não do pai, era do marido. Ou seja, é ainda muito familiar à mulher se sentir impelida a priorizar um relacionamento amoroso estável na sua vida, e creio que ainda vai levar muito tempo para essa “necessidade” se equalizar.
O homem por sua vez sempre se ocupou de outras demandas que não primordialmente o casamento e a família, a mulher sim, durante muito tempo. Vivemos muito recentemente a emancipação feminina. Percebo que por muitas vezes a mulher tem muito mais dificuldade em lidar com a sua emancipação do que o homem.
Bem, a grande verdade é que somos todos terráqueos, portanto sujeitos as mesmas mazelas. Todo o ser humano vive, sofre, se alegra, se frustra, se aborrece, espera, deseja, sonha, se decepciona, se engana, engana. Talvez o que diferencie realmente o comportamento de cada pessoa seja o nível de maturidade de cada um e o respeito que tem em relação a si mesmo e aos outros. Quando exercitamos a empatia conseguimos entender melhor o que se passa com os outros, e aí fica mais fácil conseguir perceber o por quê de muitas atitudes que nos irritam, ou que geram um mal estar no relacionamento amoroso, ou numa situação onde ainda não há compromisso. Cada pessoa tem um padrão de funcionamento, padrão esse que geralmente é extremamente diferente do nosso, por isso vivenciamos tantos conflitos relacionais.
A guerra dos sexos não nos leva a nada. Na verdade é um jogo, uma forma de culparmos alguém da dificuldade de lidar com as nossas próprias frustrações.
Na verdade na maioria das vezes agimos de acordo com os nossos interesses. Da mesma forma que uma mulher que está apaixonada e não é correspondida, e por esse motivo se sente ferida, ela mesmo pode estar ferindo alguém que sente paixão por ela, mas ela não corresponde a tal sentimento, da mesma maneira que acontece com os homens. Ou seja, não é correto afirmar que os homens sejam especialistas em não se envolverem num relacionamento sério. Seria muito mais fácil se a paixão ocorresse de maneira simultânea, mas nem sempre é assim.
Verdade seja dita, todos querem a mesma coisa, amor e amar.

“Uma flor não nos parece menos esplêndida se suas pétalas só estiverem viçosas durante uma noite.” __Sigmund Freud

“Não vemos as coisas como elas são, mas sim como as desejamos ou imaginamos.” __ Sigmund Freud

Cláudia Maria Piasecki
Psicóloga Clínica
3243-0156
9856-8944

Resiliência




Pessoas com características resilientes fazem com que a pressão trabalhe em seu favor. Elas conseguem essa façanha por disponibilizar todos os seus recursos e capacidades internas para fazer frente a todas as exigências e estímulos, enfrentado-os e gerenciando-os efetivamente.

Utiliza-se a resiliência para:

* Ser flexível perante a adversidade.
* Ter e sustentar excelente desempenho.
* Ser automaticamente otimista.
* Correr os riscos necessários.
* Progredir com as mudanças.
* Permanecer saudável, enérgico e cheio de vida.
* Assumir desafios difíceis e complexos.
* Perseverar.
* Inovar para descobrir soluções.
* Pensar e solucionar problemas rapidamente.
* Aprender, crescer e se aperfeiçoar.
* Realizar os mais nobres sonhos.

A palavra RESILIÊNCIA vem do latim resilio, que significa "voltar ao estado natural".

Resiliência significa a capacidade de um indivíduo manter uma conduta sã em ambientes insanos, ou seja, a capacidade do indivíduo sobrepor-se e construir-se positivamente diante das ADVERSIDADES.
Pessoas resilientes são aquelas que utilizam sua força, flexibilidade, inteligência e otimismo para enfrentar e superar circunstâncias desfavoráveis.
É importante observar que a resiliência não deve ser considerada um traço de personalidade nem uma capacidade fixa e invulnerável.
Da mesma forma que cada um de nós está competente (e não é competente) resiliência é uma capacidade que pode variar através do tempo e de acordo com o ambiente e a circunstância a que a pessoa se submete.
Estar resiliente em cada segundo da vida, portanto, é fazer o melhor uso possível de qualidades como flexibilidade, assertividade, otimismo, confiança, criatividade, intuição, foco, adaptabilidade e perseverança.
Essas qualidades o levarão a patamares mais altos de conhecimento e compreensão sobre quem é você e qual será a melhor forma de viver a vida e lidar com situações de pressão.
Talvez não seja sempre possível escolher os próprios desafios, e muitas vezes não gostamos das circunstâncias que a vida nos apresenta. Muitos não querem participar de uma GUERRA, perder o emprego, ser rejeitados pela pessoa amada. Mas cada um pode escolher como interpretar e como responder às circunstâncias indesejáveis da vida. Toda pessoa tem a possibilidade de se portar como protagonista e transformar a adversidade em um desafio que vale a pena ser encarado e num aprendizado que vale a pena ser EXPERIMENTADO.
Quando a fadiga e a tensão aumentam muitos ficam de mau humor, perdem o ânimo, o discernimento e a flexibilidade, vendo-se em situações em que:
O ATRASO de um minuto parece durar uma hora.
Um comentário descuidado FERE como repreensão.
Um SILÊNCIO é interpretado como indiferença.

"Não, o melhor é não falares,
não explicares coisa alguma.
Tudo agora está suspenso.
Nada agüenta mais nada.

E sabe Deus o que é que desencadeia as catástrofes,
o que é que derruba um castelo de cartas! Não se sabe...
Umas vezes passa uma avalanche e não morre uma mosca...
Outras vezes senta uma MOSCA e derruba uma CIDADE."
__Mário Quintana

Interpretando as adversidades como um desafio a superar, você sentirá vontade de avançar, de seguir em frente. Não mais alimentará pensamentos e sentimentos que fazem com que se desvie de seus objetivos.
LEMBRE-SE: a adversidade existe somente para isso: para que você aprenda e evolua.

"A adversidade desperta em nós capacidades que, em circunstâncias favoráveis teriam ficado adormecidas."
__Horácio

"Você não pode controlar o que irá sentir, quando irá sentir nem quanto isso será forte.
Mas você pode criar escolhas: como reagir quando se sentir assim."
__Daniel Goleman

As pessoas RESILIENTES:
Conseguem recuperar-se facilmente de um desapontamento ou uma frustração.
Conseguem relaxar e se orientar em momentos difíceis.
São pacientes e conseguem ver o lado cômico das situações.
Podem facilmente afastar distrações quando precisam se concentrar.
Conseguem identificar e administrar seus sentimentos e suas emoções em ambientes imprevisíveis ou emergenciais.
Pedem ajuda quando não são capazes de enfrentar algum problema sozinhas.
Estão em constante contato com seus sonhos e firmes em seus propósitos.

As pessoas não são perturbadas pela coisa em si, mas pela ideia que fazem delas.
"O pessimista queixa-se do vento, o otimista espera que ele mude e o realista ajusta as velas."

ESTEJA PRESENTE
Visualize o futuro, mas absorva e se concentre no presente, pois nele está a possibilidade de mudança.
Frequentemente nos distanciamos da hora em que mais precisaríamos estar presentes.
A presença é o ato mais curador que você tem.
É o que aumenta a eficiência, a consciência e o poder de resolução.

"Não se faz o que se quer, no entanto SE É responsável pelo que SE É: EIS O FATO."
__Jean-Paul Sartre

Esteja flexível e adaptado.
A qualquer momento a estrutura à qual você está acostumado pode ser substituída por outra, nova e diferente, que exigirá adaptação. Desvie-se das lanças da turbulência. Atue em várias áreas ao mesmo tempo.
Aprender a adaptar-se é encontrar novas trilhas e novas formas de atuar, mantendo o foco no propósito.
É perfeitamente possível ajustar suas estratégias e atitudes sem necessariamente perder seus valores.
Cultive a flexibilidade e a imaginação para fazer isso mesmo num momento de crise, mesmo que duvide de si próprio.
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Extraído do Livro: Supere! A arte de lidar com as adversidades.
de: Eduardo Carmello
www.entheusiasmos.com.br
eduardo@entheusiasmos.com.br

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Amores que se vão...



por Cláudia Piasecki

"...nada do que foi será, de novo do jeito que já foi um dia. Tudo passa, tudo sempre passará..."
Como uma onda.
Lulu Santos

Frustração, desânimo, impotência, tristeza, dor. Para quem já viveu uma história de amor, sabe que esses sentimentos se fazem presentes no momento em que um relacionamento acaba. Esses e muitos outros sentimentos claro, como raiva, indignação e uma enorme sensação de vazio.
Geralmente, quando um relacionamento é desfeito, ou chega ao fim não que dizer que o casal tomou a decisão de maneira ponderada e amadurecida, eu diria que essa situação é rara, via de regra uma das partes ainda está muito ligada, ou dependente do relacionamento. Por isso as pessoas acabam sofrendo tanto. Sofre quem não está mais apaixonado, ou não está mais satisfeito com aquela relação, e sofre muito mais quem ainda ama e de repente se vê "abandonado".
A sensação de abandono e vazio surge porque a relação amorosa nos traz a ideia de segurança, de afeto garantido, da presença do outro. Segundo o psiquiatra e psicanalista Flávio Gikovate, procuramos na relação amorosa o amor primordial, aquela sensação de amor incondicional que experimentamos quando nascemos, pois encontramos nos cuidados maternos tudo que precisamos, alimento, afeto, carinho, aconchego, segurança, a presença de um outro sempre pronto a atender todas as nossas necessidades.
Quando adultos procuramos no relacionamento amoroso essas sensações. Acreditamos que quando encontrarmos a pessoa certa vamos experimentar todo esse universo de sensações deliciosas, e a certeza que a presença do outro será algo divino, satisfatório, digamos, um felizes para sempre, como num conto infantil.
Renunciar a um grande amor, ou a uma paixão que está iniciando é bastante difícil. Aliás, de acordo com Dr. Eduardo Ferreira-Santos, psiquiatra, existem duas coisas que são dificílimas para o ser humano, o perdão e a renúncia. E das duas, pondera ele, renunciar é muito mais difícil do que perdoar. Quando eu perdoo alguém, eu considero alguma atitude que o outro cometeu que me machucou, magoou, aí eu posso imputar no outro toda a culpa pelo ato cometido, e demonstro toda a generosidade possível para no final conceder o perdão. Para renunciar algo ou a companhia de alguém que me é muito caro, é um movimento vivido de uma maneira totalmente individual, nessa situação tenho que encontrar força interior, subsídios próprios para poder superar tamanha dor, ao renunciar uma história de amor é vivido um período de luto, pois a perda é imensa. E esse sentimento é potencializado porque mais uma vez vivemos a frustração e a certeza de que não encontraremos mais aquele amor primordial.
Por isso é importantíssimo investirmos não só nos relacionamentos, mas também em vários outros interesses pessoais que nos tragam satisfação, que não dependam exclusivamente de uma outra pessoa para a sua realização.
Na vida experimentamos todos os tipos de frustração e por vezes um sentimento de que nada vai dar certo, mas é preciso sempre seguir em frente, tentar descobrir coisas novas, conhecer pessoas novas, aumentar a rede de relacionamentos de amizade, e valorizar as já existentes. Compartilhar interesses semelhantes com pessoas semelhantes. Certamente quando focamos nossos interesses em uma pessoa, e ela passa a ser a nossa única referência afetiva, estamos sendo extremamente egoístas e presunçosos. E podemos desta forma estarmos destruindo uma relação que poderia ser forte, saudável e durável, mas que não perdura por causa de nossa ansiedade em manter a presença daquela pessoa a qualquer preço (como se fosse nossa posse) numa atitude imatura e fantasiosa de que realmente temos esse poder. E por outro lado, se a relação não termina, está fadada de qualquer maneira a ser um peso carregado pela pessoa que é tratada como um objeto, ou como sendo a razão do viver do outro. Situação bastante delicada, pois não podemos e não devemos (pois não temos esse direito) tornar uma outra pessoa, a depositária das nossa frustrações e dificuldades emocionais.
As pessoas devem ser livres para fazer suas escolhas.
E parafraseando a música da cantora Maísa: "...se meu mundo caiu, eu que aprenda a levantar."
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Cláudia Maria Piasecki
Psicóloga Clínica
CRP 08/10847
9856-8944
9229-7662
3243-0156 Consultório

Considerações sobre novos desejos



por Contardo Calligaris

Um jovem não sabe o que ele está a fim de fazer da vida, e os pais pedem que eu descubra qual é o desejo do filho, de modo que ele possa escolher o vestibular e a profissão que ele "realmente" gostaria.
Na mesma semana, encontro um adulto que acha que, de fato, nunca fez nada por desejo. Embora bem-sucedido, queixa-se de que suas escolhas (profissionais e amorosas) sempre teriam sido circunstanciais, efeitos de oportunidades encontradas ao longo do caminho. Ele pede, antes que seja tarde, que eu o ajude a descobrir qual é "realmente" o seu desejo.
Nos dois casos, o pressuposto é o mesmo: quem viver segundo seu desejo será, no mínimo, mais alegre. Esta é mesmo uma boa definição da alegria: a sensação de que nosso desejo está engajado no que estamos fazendo, ou seja, de que nossa vida não acontece por inércia e obrigação. Inversa e logicamente, muitos estimam dever sua (grande ou pequena) infelicidade ao fato de terem dirigido a vida por caminhos que eles declaram não eram exatamente os que eles queriam.
Pois bem, esse pressuposto e os pedidos que recebi se chocam com esta constatação: o "nosso desejo" nunca é UM desejo definido por UM objeto ou por UM projeto. Não existe, nem escrito lá no fundo escondido de nossa mente, UM querer definido, que poderíamos descobrir e, logo, praticar com afinco e satisfação porque estaríamos fazendo aquela coisa ou caçando aquele objeto aos quais éramos, por assim dizer, destinados. Nada disso: de uma certa forma, todos os objetos e os projetos se valem, e nenhum é "nosso" objeto ou projeto específico. Ou seja, nós desejamos sempre segundo as circunstâncias, os encontros, as oportunidades--segundo as tentações, se você preferir.
Somos volúveis? Nem tanto, pois cada objeto e projeto não substitui necessariamente o anterior. O que acontece é que desejar é uma atividade inventiva a jato contínuo.
Por consequência, mesmo quando estamos alegremente convencidos de estar fazendo o que queremos com nossa vida, nunca estamos ao abrigo do surgimento de novos desejos.
Claro, podemos aceitar esses desejos novos. Por exemplo, em "As confissões de Schmidt" (que não é um grande filme), de A. Payne, com Jack Nicholson, o protagonista acorda de noite, olha para sua mulher de sei lá quantos anos e se pergunta estupefato: "Quem é esta mulher que dorme na minha cama?". Logo, ele dá um rumo novo à sua vida, colocando o pé na estrada. Mas a expressão de seus novos desejos é fortemente facilitada por duas circunstâncias: providencialmente, o protagonista se aposenta e fica viúvo. Nessas condições, escutar novos desejos fica fácil, não é?
Agora, imaginemos alguém que esteja no meio de sua vida profissional e num bom momento de sua vida amorosa. Nesse caso, provavelmente, o novo desejo será silenciado, reprimido, menosprezado ("deixe para lá, é besteira'). Resultado: o indivíduo continuará declarando que está vivendo a vida que ele queria (e, em parte, será verdade); só que, de repente, sem entender por quê, ele perderá sua alegria.
Por que razão nosso indivíduo negligenciaria seus novos desejos?
Simples: por serem novos, eles acarretam a ameaça de uma ruptura no presente: afetos e laços que poderiam ser perdidos, medo da solidão e preguiça dos esforços necessários para reinventar a vida.
Infelizmente, essa negligência tem um custo alto. Sempre entendi assim a "Metamorfose", de Kafka: alguém acorda, e o que até então era uma vida normal e legal, de repente, aos seus olhos, é uma vida de barata.
Nota útil para a clínica da depressão; será que houve lutos ou perdas? Nada disso; está tudo bem, trabalho, família, filhos e tal, mas o indivíduo entristece, volta a fumar e a beber como se quisesse encurtar a vida, engorda como se estivesse num mar de frustração e precisasse de gratificações alternativas.
Em muitas dessas vezes, a origem da depressão não é uma perda, nem propriamente uma frustração, mas a aparição de um desejo novo que não foi reconhecido. E os novos desejos, sobretudo quando são silenciados, desvalorizam a vida que estamos vivendo.
Moral da fábula: 1- Não existem vidas definitivamente resolvidas, pois novos desejos surgem sempre; 2- É bom reconhecer os novos desejos, mesmo que deixemos de realizá-los.