segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Amores que se vão...



por Cláudia Piasecki

"...nada do que foi será, de novo do jeito que já foi um dia. Tudo passa, tudo sempre passará..."
Como uma onda.
Lulu Santos

Frustração, desânimo, impotência, tristeza, dor. Para quem já viveu uma história de amor, sabe que esses sentimentos se fazem presentes no momento em que um relacionamento acaba. Esses e muitos outros sentimentos claro, como raiva, indignação e uma enorme sensação de vazio.
Geralmente, quando um relacionamento é desfeito, ou chega ao fim não que dizer que o casal tomou a decisão de maneira ponderada e amadurecida, eu diria que essa situação é rara, via de regra uma das partes ainda está muito ligada, ou dependente do relacionamento. Por isso as pessoas acabam sofrendo tanto. Sofre quem não está mais apaixonado, ou não está mais satisfeito com aquela relação, e sofre muito mais quem ainda ama e de repente se vê "abandonado".
A sensação de abandono e vazio surge porque a relação amorosa nos traz a ideia de segurança, de afeto garantido, da presença do outro. Segundo o psiquiatra e psicanalista Flávio Gikovate, procuramos na relação amorosa o amor primordial, aquela sensação de amor incondicional que experimentamos quando nascemos, pois encontramos nos cuidados maternos tudo que precisamos, alimento, afeto, carinho, aconchego, segurança, a presença de um outro sempre pronto a atender todas as nossas necessidades.
Quando adultos procuramos no relacionamento amoroso essas sensações. Acreditamos que quando encontrarmos a pessoa certa vamos experimentar todo esse universo de sensações deliciosas, e a certeza que a presença do outro será algo divino, satisfatório, digamos, um felizes para sempre, como num conto infantil.
Renunciar a um grande amor, ou a uma paixão que está iniciando é bastante difícil. Aliás, de acordo com Dr. Eduardo Ferreira-Santos, psiquiatra, existem duas coisas que são dificílimas para o ser humano, o perdão e a renúncia. E das duas, pondera ele, renunciar é muito mais difícil do que perdoar. Quando eu perdoo alguém, eu considero alguma atitude que o outro cometeu que me machucou, magoou, aí eu posso imputar no outro toda a culpa pelo ato cometido, e demonstro toda a generosidade possível para no final conceder o perdão. Para renunciar algo ou a companhia de alguém que me é muito caro, é um movimento vivido de uma maneira totalmente individual, nessa situação tenho que encontrar força interior, subsídios próprios para poder superar tamanha dor, ao renunciar uma história de amor é vivido um período de luto, pois a perda é imensa. E esse sentimento é potencializado porque mais uma vez vivemos a frustração e a certeza de que não encontraremos mais aquele amor primordial.
Por isso é importantíssimo investirmos não só nos relacionamentos, mas também em vários outros interesses pessoais que nos tragam satisfação, que não dependam exclusivamente de uma outra pessoa para a sua realização.
Na vida experimentamos todos os tipos de frustração e por vezes um sentimento de que nada vai dar certo, mas é preciso sempre seguir em frente, tentar descobrir coisas novas, conhecer pessoas novas, aumentar a rede de relacionamentos de amizade, e valorizar as já existentes. Compartilhar interesses semelhantes com pessoas semelhantes. Certamente quando focamos nossos interesses em uma pessoa, e ela passa a ser a nossa única referência afetiva, estamos sendo extremamente egoístas e presunçosos. E podemos desta forma estarmos destruindo uma relação que poderia ser forte, saudável e durável, mas que não perdura por causa de nossa ansiedade em manter a presença daquela pessoa a qualquer preço (como se fosse nossa posse) numa atitude imatura e fantasiosa de que realmente temos esse poder. E por outro lado, se a relação não termina, está fadada de qualquer maneira a ser um peso carregado pela pessoa que é tratada como um objeto, ou como sendo a razão do viver do outro. Situação bastante delicada, pois não podemos e não devemos (pois não temos esse direito) tornar uma outra pessoa, a depositária das nossa frustrações e dificuldades emocionais.
As pessoas devem ser livres para fazer suas escolhas.
E parafraseando a música da cantora Maísa: "...se meu mundo caiu, eu que aprenda a levantar."
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Cláudia Maria Piasecki
Psicóloga Clínica
CRP 08/10847
9856-8944
9229-7662
3243-0156 Consultório

Considerações sobre novos desejos



por Contardo Calligaris

Um jovem não sabe o que ele está a fim de fazer da vida, e os pais pedem que eu descubra qual é o desejo do filho, de modo que ele possa escolher o vestibular e a profissão que ele "realmente" gostaria.
Na mesma semana, encontro um adulto que acha que, de fato, nunca fez nada por desejo. Embora bem-sucedido, queixa-se de que suas escolhas (profissionais e amorosas) sempre teriam sido circunstanciais, efeitos de oportunidades encontradas ao longo do caminho. Ele pede, antes que seja tarde, que eu o ajude a descobrir qual é "realmente" o seu desejo.
Nos dois casos, o pressuposto é o mesmo: quem viver segundo seu desejo será, no mínimo, mais alegre. Esta é mesmo uma boa definição da alegria: a sensação de que nosso desejo está engajado no que estamos fazendo, ou seja, de que nossa vida não acontece por inércia e obrigação. Inversa e logicamente, muitos estimam dever sua (grande ou pequena) infelicidade ao fato de terem dirigido a vida por caminhos que eles declaram não eram exatamente os que eles queriam.
Pois bem, esse pressuposto e os pedidos que recebi se chocam com esta constatação: o "nosso desejo" nunca é UM desejo definido por UM objeto ou por UM projeto. Não existe, nem escrito lá no fundo escondido de nossa mente, UM querer definido, que poderíamos descobrir e, logo, praticar com afinco e satisfação porque estaríamos fazendo aquela coisa ou caçando aquele objeto aos quais éramos, por assim dizer, destinados. Nada disso: de uma certa forma, todos os objetos e os projetos se valem, e nenhum é "nosso" objeto ou projeto específico. Ou seja, nós desejamos sempre segundo as circunstâncias, os encontros, as oportunidades--segundo as tentações, se você preferir.
Somos volúveis? Nem tanto, pois cada objeto e projeto não substitui necessariamente o anterior. O que acontece é que desejar é uma atividade inventiva a jato contínuo.
Por consequência, mesmo quando estamos alegremente convencidos de estar fazendo o que queremos com nossa vida, nunca estamos ao abrigo do surgimento de novos desejos.
Claro, podemos aceitar esses desejos novos. Por exemplo, em "As confissões de Schmidt" (que não é um grande filme), de A. Payne, com Jack Nicholson, o protagonista acorda de noite, olha para sua mulher de sei lá quantos anos e se pergunta estupefato: "Quem é esta mulher que dorme na minha cama?". Logo, ele dá um rumo novo à sua vida, colocando o pé na estrada. Mas a expressão de seus novos desejos é fortemente facilitada por duas circunstâncias: providencialmente, o protagonista se aposenta e fica viúvo. Nessas condições, escutar novos desejos fica fácil, não é?
Agora, imaginemos alguém que esteja no meio de sua vida profissional e num bom momento de sua vida amorosa. Nesse caso, provavelmente, o novo desejo será silenciado, reprimido, menosprezado ("deixe para lá, é besteira'). Resultado: o indivíduo continuará declarando que está vivendo a vida que ele queria (e, em parte, será verdade); só que, de repente, sem entender por quê, ele perderá sua alegria.
Por que razão nosso indivíduo negligenciaria seus novos desejos?
Simples: por serem novos, eles acarretam a ameaça de uma ruptura no presente: afetos e laços que poderiam ser perdidos, medo da solidão e preguiça dos esforços necessários para reinventar a vida.
Infelizmente, essa negligência tem um custo alto. Sempre entendi assim a "Metamorfose", de Kafka: alguém acorda, e o que até então era uma vida normal e legal, de repente, aos seus olhos, é uma vida de barata.
Nota útil para a clínica da depressão; será que houve lutos ou perdas? Nada disso; está tudo bem, trabalho, família, filhos e tal, mas o indivíduo entristece, volta a fumar e a beber como se quisesse encurtar a vida, engorda como se estivesse num mar de frustração e precisasse de gratificações alternativas.
Em muitas dessas vezes, a origem da depressão não é uma perda, nem propriamente uma frustração, mas a aparição de um desejo novo que não foi reconhecido. E os novos desejos, sobretudo quando são silenciados, desvalorizam a vida que estamos vivendo.
Moral da fábula: 1- Não existem vidas definitivamente resolvidas, pois novos desejos surgem sempre; 2- É bom reconhecer os novos desejos, mesmo que deixemos de realizá-los.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

AMOR REAL X AMOR VIRTUAL



por Cláudia Piasecki

"Quero um amor maior, amor maior que eu..."
J. Quest


O tempo passa, mudanças imensas se dão na cultura, no comportamento humano, mas tem algo que não passa e que nunca cai em desuso (espero que nunca caia...) , o amor.
Claro, que a maneira como as pessoas amam e como elas buscam o amor mudou.
As redes sociais são hoje grandes aliadas na conquista de relacionamentos, seja na busca de amizades ou de um possível namoro.
A internet é uma grande ferramenta de comunicação para nós, seres pós-modernos.
Lembro da época que a única maneira de comunicação, fora a velha conhecida cara-a-cara, era o telefone. Ficávamos horas ao telefone com os amigos, em conversas intermináveis. E o namoro pelo telefone então? Durava horas e horas...a conta no final do mês era do tamanho do amor e da eloquência do casal...
Bem, hoje tudo isso mudou, sim usamos muito o telefone ainda, certamente muito mais o celular do que o nosso velho amigo telefone fixo.
Mas o que realmente mudou nas relações humanas com o advento das redes sociais, MSN, Skype?
A grande mudança é que podemos nos comunicar com pessoas do mundo inteiro à distância, podemos ver imagens em tempo real pela webcam. As redes socias possibilitam a manutenção de amizades que já existiam no âmbito social real, e nos dão a chance de conhecermos inúmeras pessoas, amigos de amigos, que vamos adicionando. A grande questão é que na verdade não conhecemos pessoalmente a grande maioria das pessoas que são nossos amigos nas redes sociais, segundo Martha Gabriel, consultora de mídias socias, atualmente é possível que nos relacionemos com 150 pessoas. Podemos ter mais de mil amigos virtuais, mas pessoas que realmente conhecemos e com quem temos frequentes trocas virtuais são apenas 150 (em média).
E as relações amorosas. O que mudou?
Muitos relacionamentos amorosos tiveram início através das redes sociais, muitos casamentos aconteceram graças a tecnologia. Muitas pessoas, que são muito tímidas na vida real, se deram bem no contato virtual. São novos tempos...e com certeza a tecnologia entrou com tudo em nossas vidas, causando grande transformação.
Penso que o ser humano está num período de grande desenvolvimento. O contato via internet, redes sociais é irreversível.
Outra novidade no campo relacional, são os sites de namoro. As pessoas se inscrevem nesses sites, e sonham com a possibilidade de conhecer alguém legal, compatível com o seu desejo, alguém para amar.
Mas não se enganem...as pessoas não são melhores nem piores por estarem "protegidas" pela magia da comunicação virtual. Muitas vezes a porção ingênua e sonhadora das pessoas se exacerba na comunicação virtual, tem-se a impressão que todas as pessoas são boas, legais, lindas, de ótimo caráter, felizes, bem sucedidas, fiéis, etc.
Existem casos onde as pessoas estão deixando de investir em relações reais para se dedicar às relações virtuais. Homens e mulheres vivendo uma ilusão, um sonho. Claro que a realidade muitas vezes traz frustrações, sofrimento, temos receio de não sermos aceitos; aí vem a falsa impressão que no contexto virtual isso não acontece. Mas quando chega a hora de conhecer pessoalmente aquela garota, ou aquele rapaz com quem você está se comunicando a um bom tempo virtualmente? Será que ele (a) é tudo aquilo que você imaginou? Então, bate a dúvida: será que eu devo mesmo conhecer esta pessoa? A probabilidade de se decepcionar é bastante grande, pois certamente projetamos qualidades, que talvez essa pessoa não possua. Totalmente diferente do contato real. Você poder olhar nos olhos da pessoa, sentir seu cheiro, o toque, a voz, enfim. Não existe comparação. Podemos usar e abusar da comunicação virtual como forma de comunicação complementar, mas a relação real, com pessoas reais é muito mais gratificante, verdadeira e satisfatória.
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Cláudia Maria Piasecki
Psicóloga Clínica
CRP 08/10847
9856-8944
3243-0156 consultório

Para durar, o amor deve ser um constante exercício de conquista



por Alberto Lima
psicoterapeuta junguiano



Enganam-se as pessoas que pensam que o casamento é hora de sossegar, que a sedimentação da relação garante, por si só, a sua sobrevivência. Se não for cultivado diariamente, com pequenos e também grandes gestos de atenção, o relacionamento se acomoda, o sexo esfria, o entusiasmo vai embora. A disposição para o cuidado com o outro é que mantém a chama acesa.



Tudo começa movido pelo elemento fogo: é paixão! Arrebatadora! Corações em brasa, corpos ardentes, disponibilidade total, olhares enamorados, admiração mútua...
Uma beleza! Ele e ela foram bem-sucedidos na conquista e entendem que o amor se instalou inexoravelmente. Casam-se, então, e, no momento em que firmam esse compromisso, tornam-se irremediavelmente "felizes para sempre"!
Com o passar do tempo, o fogo abranda e o gráfico da paixão ameaça raspar na base do papel. O entusiasmo arrefece, o envolvimento se afrouxa, o olhar já não pousa sobre os olhos do outro. Os beijos já não são ardentes e dão lugar a protocolares bicotas. O sexo deixa de ser tão frequente, parece não suscitar o mesmo élan.
E a motivação para os programas a dois diminui.
A vida é assim, certo?
Errado. E o erro está em acreditar que a manutenção de um casamento__e do fogo, claro__seja algo automático, que deveria decorrer naturalmente do simples fato de a relação ter-se sedimentado.
Uma relação amorosa é um grande desafio. O jogo começa quando se pensa que terminou (com a efetivação da união).
Não se sustentará, a menos que seja vivido como um constante exercício de conquista.
Amor é labor. E há de ser assim, ou perecerá.
Nada na vida funciona bem, a menos que se renove. O banho precisa ser tomado com cuidado todos os dias. O alimento precisa ser preparado novamente, com o mesmo capricho. O filho precisa ser levado a dormir e deverá ouvir um conto de fadas, de novo e de novo, todos os dias, ou não se estruturará como sujeito íntegro, com fé na vida e capaz de, a exemplo dos pais, saber renová-la a cada dia, em todos os instantes de seu futuro.
A renovação da conquista é tão importante quanto reafirmar a escolha amorosa.
Nenhuma dessas duas coisas se pode pressupor como automaticamente presente, ou natural em uma relação. Para que uma casa fique firme, é preciso construir as paredes, tijolo por tijolo, instalar o telhado, telha por telha, cuidar do acabamento e, finalmente, não deixar de lado a manutenção. Se a casa da união não recebe a energia cuidadosa de quem a botou no mundo, tende a "adoecer" e pode ruir.
Para conquistar o parceiro, a parceira, tudo de que se necessita é disposição pessoal para o cuidado. Regar a planta, remover as ervas daninhas, nutrir. A saladinha de alface com tomate de todos os dias pode ser enfeitada com estrelas de carambola, ou com iscas de pêssego. Pode ser servida em travessas diferentes, com alguma arte. Ele__ou ela__perceberá o cuidado, experimentará gratidão e verá renovar-se no peito o bem querer.
Quando chegar em casa à noite e for tomar o seu banho, ele pode fazer a barba uma vez mais; ela apreciará o gesto.
Ela pode escolher a roupa que vai vestir, em lugar de aproveitar aquela camisetinha básica "que nem estava cheirando a usada"; ele saberá.
Quando um percebe que foi considerado pelo outro__e geralmente o significado disso está em que um cuidado foi tomado e um tempo de dedicação foi empregado__, isso é o que basta para que se renove o sentimento de bom gosto na escolha de parceria! "Ah, como é bom meu amor importar-se comigo e tratar bem de mim". A chama amorosa se renova e dá sustentação à continuidade e ao crescimento do vínculo e do prazer de vivê-lo.

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quinta-feira, 2 de junho de 2011

Pessoas






Você é uma "Razão", uma "Estação", ou, uma "Vida Inteira?"



Pessoas entram na sua vida por uma "Razão", uma "Estação", ou, uma "Vida Inteira?"

Quando você percebe qual deles é, você vai saber o que fazer por cada pessoa.



Quando alguém está em sua vida por uma "Razão"...

É geralmente para suprir uma necessidade que você demonstrou.

A pessoa surge para auxiliá-lo numa dificuldade, fornecer orientação e apoio, ajudá-lo física, emocional ou espiritualmente.

Poderá parecer como uma dádiva de Deus, e ela é!

Está lá pela razão que você precisa que ela esteja lá.

Então, sem nenhuma atitude errada de sua parte, ou em uma hora inconveniente, esta pessoa vai dizer ou fazer alguma coisa para levar essa relação a um fim.

Pode acontecer dessa pessoa morrer, ou, ela simplesmente se vai, ou, ela age e te força a tomar uma posição.

O que devemos entender é que nossas necessidades foram atendidas, nossos desejos preenchidos e o trabalho dela, feito.



Quando pessoas entram em nossas vidas por uma "Estação", é porque chegou a sua vez de dividir, crescer e aprender.

Elas trazem para você a experiência da paz, ou fazem você rir. Elas poderão ensiná-lo algo que você que você nunca fez.

Elas geralmente te dão uma quantidade enorme de prazer. Acredite! É real!

Mas somente por uma "Estação".



Relacionamentos de uma "Vida Inteira" te ensinam lições para a vida inteira: coisas que você deve construir para ter uma formação emocional sólida.

Sua tarefa é aceitar a lição, amar a pessoa, e colocar o que você aprendeu em uso em todos os outros relacionamentos e áreas de sua vida.

É dito que o amor é cego, mas a amizade é clarividente.



"Trabalhe como se você não precisasse do dinheiro, ame como se você nunca tivesse sido magoado, e dance como se ninguém estivesse te observando".



"O maior risco da vida é não fazer NADA."



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Cláudia Maria Piasecki
Psicóloga Clínica
CRP 08/10847

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Buscando um relacionamento




por Lou Marinoff



"E, no entanto, se todos os desejos fossem satisfeitos logo que despertados, como os homens ocupariam a vida, como passariam o tempo? Imaginem essa corrida transportada para uma Utopia em que tudo crescesse por sua própria vontade e os perus assados passassem de um lado para o outro, onde os amantes se encontrassem sem demora e se mantivessem juntos sem dificuldades: em um lugar assim, alguns homens morreriam de tédio ou se enforcariam, alguns brigariam e matariam uns aos outros, e, portanto, criariam mais sofrimento para si mesmos do que a natureza lhes inflige assim como é."
__ Arthur Schopenhauer


"Para viver só, ou se é um animal ou um deus."
__ Friedrich Nietzsche

Embora todos os tipos de relações__com a família, amigos, vizinhos e colegas__satisfaçam em parte a intransigente necessidade humana de contato social, esta necessidade se revela mais comumente na busca de um relacionamento amoroso. Nem todo mundo precisa ou quer um relacionamento de muito tempo, e algumas pessoas buscam constantemente ampliar a gama de contatos sociais. Mas o casal é, geralmente, a relação adulta fundamental. As pessoas precisam gastar muita energia para manter seus relacionamentos amorosos. Muita gente que não está vivendo no momento esse tipo de relacionamento investe uma quantidade equivalente de energia para encontrá-lo.
Se você é uma delas, seria bom encontrar a relação certa para evitar a devastação causada no término dos relacionamentos. A filosofia chinesa ensina que os fins estão contidos nos começos; uma tempestade violenta prepara-se rapidamente, mas não dura. Tanto a filosofia cristã quanto a hindu ensinam que plantamos o que colhemos. Cuidar desde o início de um relacionamento potencial a dois para torná-lo sólido e eficaz, pode ser de grande importância para assegurar um resultado mutuamente satisfatório durante um longo período. Quer o fim definitivo de uma relação seja a morte, o divórcio ou uma das inúmeras outras possibilidades, as sementes são plantadas no começo. Proceder conscientemente, apesar do turbilhão de emoções que acompanha cada novo relacionamento, não garantirá um desenrolar tranquilo__todos os relacionamentos têm seus baques e vazios__, mas lhe oferecerá o melhor desfecho para o seu investimento.
Encontrar um parceiro de vida em uma sociedade tecnológica avançada é mais difícil do que em uma aldeia primitiva, onde, pelo menos, todos se conheciam e a esposa era escolhida entre as poucas pessoas disponíveis. Isso não produzia necessariamente finais felizes, é claro, mas a intimidade desse tipo de comunidade proporcionava apoio àqueles que não se casavam ou não gostavam do casamento que tinham feito. Agora nossos horizontes são muito menos limitados, mas a compensação é uma perda de comunidade e um desgaste da rede de apoio social que liga grupos de pessoas.
Marshall MacLuhan foi o primeiro a escrever sobre a "aldeia global", na década de 60. Desde então, o mundo tem diminuído e se interligado cada vez mais , com a internet, a viagem aérea barata e extensa, o desarraigamento e a globalização aproximando as pessoas de todo o mundo. MacLuhan falava somente do espaço físico, não do espaço cibernético, e não pôde prever os efeitos sociais da globalização. Com tantas interações humanas intermediadas hoje por algum tipo de interface tecnológica, seja um computador ou um telefone, o contato entre as pessoas perde a intimidade necessária para gerar relações individuais e, em consequência, comunidades.
O filósofo francês Henri Bergson alertou, prudentemente, sobre a mecanização do espírito que pode resultar do progresso tecnológico e como isso pode obstruir o nosso desenvolvimento como seres sociais.

"Se a felicidade consiste na atividade virtuosa, deve ser a atividade da virtude superior, ou, em outras palavras, da melhor parte da nossa natureza. (...) Concluímos, então, que a felicidade vai até onde o poder do pensamento vai, e que quanto maior o poder de pensamento de uma pessoa, maior será sua felicidade; não como algo acidental, mas em virtude do seu pensamento, pois esse é nobre em si mesmo. Portanto, a felicidade deve ser uma forma de contemplação."
__ Aristóteles

“A natureza queria que não precisássemos de nenhum grande equipamento para sermos felizes; cada um de nós é capaz de fazer a sua própria felicidade. As coisas externas não têm muita importância...Tudo que é melhor para um homem está além do poder de outros homens.”

__ Sêneca

Lou Marinoff, Ph.D, é diretor executivo da American Society for Philosophy, Counseling and Psychotherapy, professor de filosofia no City College de Nova York. Presidente da American Philosophical Practitioners Association.Autor do Livro: Mais Platão, Menos Prozac.
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Cláudia Maria Piasecki
Psicóloga Clínica
CRP 08/10847

segunda-feira, 28 de março de 2011

DISPERSÃO MENTAL


Dispersão mental causa infelicidade, aponta pesquisa.

Psicólogos avaliam estado emocional de voluntários
com um aplicativo de iPhone.

Da France Presse

Um estudo divulgado nos Estados Unidos, sugere que as pessoas gastam quase metade do tempo imaginando que gostariam de estar em algum outro lugar ou fazendo outra coisa, e essa dispersão da mente as torna infelizes.
"A mente humana é uma mente dispersa e uma mente dispersa é uma mente infeliz", escrevem os psicólogos Matthew Killingsworth e Daniel Gilbert, da Universidade de Harvard, na "Science".
"A habilidade de pensar sobre o que não está acontecendo é uma conquista cognitiva, mas tem um custo emocional", dizem.
A pesquisa acompanhou 2.250 pessoas por meio de seus iPhones. Um aplicativo foi instalado para perguntar aos voluntários seu nível de felicidade, o que estavam fazendo, se estavam pensando sobre aquela atividade ou sobre qualquer outra coisa--e, nesse caso, se o pensamento era agradável, neutro ou desagradável.
Quando os resultados foram computados, os cientistas constataram que a mente das pessoas estava dispersa 46,9% do tempo.
Os voluntários se disseram mais felizes quando faziam sexo, se exercitavam ou conversavam. Por outro lado, descreveram maior infelicidade quando usavam o computador em casa, descansavam ou trabalhavam.
Ao examinar as respostas dos voluntários quando suas mentes divagavam, os psicólogos concluíram que só "4,6% da felicidade das pessoas" estão ligados à atividades que estão desempenhando, ao mesmo tempo em que os devaneios correspondem a 10,8% da felicidade.
O estudo indica que a mente dispersa dos voluntários é a causa e não a consequência de sua infelicidade.
Os voluntários tinham mais foco no presente durante o sexo, segundo a pesquisa. Durante outras atividades, as mentes divagavam pelo menos 30% do tempo.
"Nossa vida mental é permeada, em um nível significativo, pelo não presente", disseram os pesquisadores.
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Cláudia Maria Piasecki
Psicóloga Clínica
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